O mercado de energia solar brasileiro está mudando de fase. Durante anos, a principal pergunta era quanto um sistema poderia reduzir na conta de luz. Essa pergunta continua importante, mas agora divide espaço com outras: o que acontece quando falta energia? Como lidar com tarifas diferentes ao longo do dia? Vale a pena guardar a energia gerada para usar depois?
Para falar sobre essa transformação, o InfinieCast recebeu Gilberto Camargos, Country Manager da Solax Power Brasil, e Matheus Marconi, Service Engineer da Solax Power Brasil.
A entrevista foi conduzida por Rafael Martins, Diretor Comercial da Infinie, e José Victor, Diretor de Suprimentos da Infinie. Ao longo do episódio, os participantes falaram sobre a trajetória dos convidados no setor, a chegada da tarifa branca, o uso de baterias em residências, condomínios, comércios e indústrias, e sobre por que o armazenamento já é visto como a próxima grande onda do mercado de energia.
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Quem viveu o mercado de todos os lados
O episódio começa com a história dos convidados, e ela ajuda a entender a visão que os dois trazem para a conversa.
Gilberto está há quase 15 anos no setor solar. Começou em uma pequena fábrica de módulos fotovoltaicos, em uma época em que o mercado brasileiro ainda nem existia de fato. Depois disso, atuou como integrador, passou pela distribuição e, desde 2020, trabalha com fabricantes. Matheus começou como estagiário em uma integradora, teve a própria empresa, atuou em fabricante de microinversores e, na Solax, passou pelo suporte pós-venda antes de chegar à área de comissionamento de sistemas de armazenamento de maior porte.
Esse percurso tem um ponto em comum: os dois conhecem de perto a realidade de quem projeta, vende, instala e dá suporte. Segundo eles, essa experiência de campo é levada à fábrica para adaptar os produtos às necessidades do mercado brasileiro.
Matheus também lembrou uma conversa com José Victor, em 2023, quando o diretor da Infinie já afirmava que o futuro do mercado seria híbrido e que a expansão viria das baterias.

Como o armazenamento ganhou espaço no Brasil
Gilberto contou como o interesse por baterias cresceu no país nos últimos anos. Segundo ele, alguns fatores se somaram:
- a queda forte do mercado on grid depois do recorde de vendas de 2022;
- as restrições de conexão por inversão de fluxo, que começaram a afetar Minas Gerais;
- os apagões prolongados em São Paulo, que fizeram a procura por baterias disparar;
- a redução no preço dos módulos fotovoltaicos, que deixou os sistemas com armazenamento mais atrativos;
- a regulamentação que passou a permitir sistemas conectados à rede com bateria.
Para os convidados, o armazenamento representa uma espécie de "Solar 2.0": depois da fase de crescimento acelerado da geração distribuída, o mercado amadurece e passa a olhar para soluções mais completas.

Microinversores pensados para o mercado brasileiro
Além do armazenamento, a conversa passou pelos microinversores da Solax. Gilberto explicou que a empresa não tinha esse produto no Brasil e que o time local trabalhou junto com a fábrica para desenvolver uma solução adaptada às necessidades do mercado brasileiro.
Matheus destacou alguns pontos considerados essenciais no desenvolvimento:
- rastreamento individual de cada módulo (MPPT independente);
- topologia 4 para 1, a mais adotada hoje no mercado;
- custo-benefício compatível com a realidade brasileira;
- melhoria contínua a partir do retorno de integradores e clientes.
Os anfitriões também comentaram a experiência da Infinie com o produto. José Victor levou cerca de seis meses para validar o microinversor antes de colocá-lo no portfólio, e hoje a Infinie instala, em média, mais de 200 microinversores Solax por mês, com índice de falhas muito baixo.

Bateria funciona como um power bank para a casa ou empresa
Para explicar o armazenamento a quem não é da área, Gilberto usou uma comparação simples: o sistema de baterias funciona como um power bank, aquele carregador portátil de celular, só que para a casa, a empresa ou o escritório.
O banco de baterias guarda energia, seja da geração solar, seja da rede da concessionária, e libera essa energia quando ela é necessária. Na prática, funciona como um nobreak, mas com muito mais controle sobre quando carregar e quando usar.
Outro ponto levantado no episódio é que, diferentemente dos painéis solares, a bateria não depende de telhado ou de área disponível. Por isso, o público que pode se beneficiar do armazenamento tende a ser maior do que o da própria geração solar.
Tarifa branca: quando o horário de consumo passa a pesar na conta
Um dos temas centrais do episódio é a tarifa branca, modalidade em que o preço da energia muda conforme o horário do dia. Com ela, o mesmo consumo pode custar mais ou menos dependendo do momento em que acontece.
O desafio é que boa parte do consumo residencial se concentra no fim da tarde e à noite, justamente quando a energia tende a ficar mais cara. É o horário em que as pessoas chegam em casa, tomam banho, ligam o ar-condicionado e, cada vez mais, carregam o carro elétrico.
Com baterias, é possível:
- carregar o sistema quando a energia está mais barata;
- usar a energia armazenada nos horários mais caros;
- reduzir a dependência da rede nos períodos de pico;
- manter circuitos essenciais funcionando durante quedas de energia.
Os convidados também comentaram o que já acontece em outros países, como as usinas virtuais de energia, em que sistemas com bateria instalados em casas e empresas podem fornecer energia à rede quando há falta em determinada região. Para eles, a tarifa branca é o primeiro passo do Brasil nessa direção.

Eletrificação: consumimos cada vez mais energia
A conversa também mostrou como o consumo de energia está crescendo dentro das casas. Carros elétricos, cooktops por indução, fritadeiras elétricas, ar-condicionado e aparelhos conectados fazem parte de um processo de eletrificação que aumenta a dependência da rede elétrica.
José Victor citou o próprio exemplo: em um ou dois anos, o consumo da casa dele passou de cerca de 300 kWh para 800 kWh por mês.
Matheus acrescentou outro fator: a busca por imediatismo. Todo mundo quer carregar o carro elétrico o mais rápido possível, com carregadores cada vez mais potentes, justamente no horário de maior demanda. Nesse cenário, a bateria passa a ter um papel cada vez mais importante.
Necessidade, conforto e operação: quem precisa de armazenamento
Os participantes dividiram os principais perfis de clientes para sistemas com bateria em três grupos:
- necessidade: quem não pode ficar sem energia, como pessoas em home office, pacientes que dependem de equipamentos médicos em casa ou propriedades rurais em ponta de rede;
- conforto: quem não quer passar pelo transtorno de uma queda de energia, como residências de alto padrão e condomínios que precisam manter portaria, portões e segurança funcionando;
- operação: comércios e empresas que dependem de energia constante, como farmácias, açougues, sorveterias, clínicas odontológicas e de estética, além de clientes do Grupo A que conhecem o custo de consumir energia no horário de ponta.
Em Uberlândia, as quedas de energia costumam durar poucas horas, diferente dos apagões de dias que aconteceram em São Paulo. Mesmo assim, há casos em que poucas horas sem energia já causam prejuízo.
Um exemplo citado no episódio foi o de um rancho na região de Miranda que era alugado nos fins de semana. A energia caía com frequência, prejudicando a experiência de quem alugava o espaço. Com um sistema híbrido instalado pela Infinie, o problema foi resolvido.

Cada projeto começa pelo objetivo do cliente
Ter painéis solares não significa, automaticamente, continuar com energia durante um apagão. Um sistema on grid comum é desligado quando a rede da concessionária cai, por segurança. Para manter cargas funcionando, é preciso um projeto com inversor híbrido, baterias e definição dos circuitos que serão atendidos.
Por isso, antes de escolher equipamentos, é preciso entender:
- quanto e em quais horários a energia é consumida;
- quais equipamentos não podem parar;
- por quanto tempo é necessário manter esses equipamentos funcionando;
- se o objetivo é economia, segurança, conforto ou tudo isso junto;
- se haverá aumento de consumo no futuro, como a chegada de um carro elétrico.
Para entender melhor as diferenças, veja também: On grid, off grid ou híbrido: qual sistema é o ideal para você? e BESS: o que é e por que sua empresa precisa de armazenamento de energia.
Parceria entre fabricante e integrador
O episódio também reforça a importância da relação entre fabricante e integrador. O fabricante desenvolve a tecnologia; o integrador conhece a realidade do cliente, dimensiona a solução e garante a instalação e o suporte.
Quando essa relação tem canal aberto, troca de experiência e produto disponível, quem ganha é o cliente final, que recebe uma solução mais segura e preparada para acompanhar a evolução do seu consumo.

Assista ao episódio do InfinieCast
O episódio completo reúne a experiência de Gilberto Camargos e Matheus Marconi, da Solax Power Brasil, com a visão comercial e de suprimentos de Rafael Martins e José Victor, da Infinie.
A conversa ajuda a entender como armazenamento, inversores híbridos, microinversores e a tarifa branca estão mudando a forma de pensar projetos de energia no Brasil.
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Quer saber se um sistema com bateria faz sentido para sua casa, empresa ou condomínio? Chame a Infinie. Nossa equipe analisa seu consumo, seus horários de maior uso e sua necessidade de autonomia para desenvolver a solução adequada.
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